segunda-feira, 19 de maio de 2014

UM POUCO SOBRE O POETA PORTUGUÊS MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO

                   Olá meus queridos leitores, que bom poder me comunicar com vocês mais um pouco. Bom, hoje escreverei um pouco sobre um dos mais expressivos poetas português: Mário de Sá-Carneiro. Nasceu em Lisboa, em 1890. Perdeu sua mãe aos dois anos de idade. Após ter concluído os estudos secundários, vai para Paris(1912), a fim de fazer o curso de Direito. Nesta mesma época publica um livro de contos, (Princípio), e começa a fazer poesia. Passa suas férias em Lisboa (1914), onde junta-se a Fernando Pessoa e a outros jovens, lançando o 'Orpheu" (1915). Publica (Dispersão e A confissão de Lúcio). Por questão financeira, assim que regressa a Paris põe termo à vida, em 26 de abril de 1916. Abaixo segue dois de seus principais poemas, prestem atenção no seu modo singular de se expressar:

                                                Quase

                Um pouco mais de sol -- eu era brasa,
                Um pouco mais de azul -- eu era além.
                Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
                Se ao menos eu permanecesse aquém...

                Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
                Num baixo mar enganador de espuma;
                E o grande sonho despertado em bruma,
                O grande sonho -- ó dor! -- Quase vivido...

                Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
                Quase o princípio e o fim -- quase e expansão...
                Mas na minh'alma tudo se derrama...
                Entanto nada foi só ilusão!

               De tudo houve um começo... e tudo errou...
               -- Ai dor de ser quase, dor sem fim... --
               Eu falhei-me entre os mais, falhai em mim,
               Asa que se enlaçou mas não voou...

              .........................................................................
              .........................................................................

             Um pouco mais de sol -- e fora brasa,
             Um pouco mais de azul -- e fora além.
             Para atingir, faltou um golpe de asa...
             Se ao menos eu permanecesse aquém...

Neste poema, observamos a insatisfação total do poeta. Percebe-se uma antipatia contra a vida do homem. Ele escreve de maneira egocêntrica, enredando-se no labirinto do seu próprio "eu". Abaixo segue-se mais um de seus poemas atormentados, mas de um lirismo fantástico:

                                            Caranguejola

                      Ah, que me metam entre cobertores,
                      E não me façam mais nada!...
                      Que a porta do meu quarto fique para sempre fechada,
                      Que não se abra mesmo para ti se tu la fores!

                      Lã vermelha, leito fofo. Tudo bem calafetado...
                      Nenhum livro, nenhum livro à cabeceira...
                      Façam apenas com que eu tenha sempre a meu lado
                      Bolos de ovos e uma garrafa de madeira.

                      Não, não estou para mais; não quero mesmo brinquedos.
                      P'ra quê? Até se mos dessem não saberia brincar...
                      Que querem fazer de mim estes enleios e medos?
                      Não fui feito p'ra festas. Larguem-me! Deixem-me sossegar!...

                     Noite sempre p'lo meu quarto. As cortinas corridas,
                     E eu aninhado a dormir, bem quentinho -- que amor!...
                     Sim: ficar sempre na cama, nunca mexer, criar bolor --
                     P'lo menos era o sossego completo... História! Era e melhor das vidas...

                    Se me doem os pés e não sei andar direito,
                    P'ra que hei-de teimar em ir para as salas, de lord?
                    Vamos, que a minha vida por uma vez se acorde
                    Com o meu corpo, e se resigne a não ter jeito...

                    De que me vale sair, se me constipo logo?
                    E quem posso eu esperar, com minha delicadeza?
                    Deixa-te de ilusões, Mário! Bom edredão, bom fogo --
                    E não penses no resto. É já bastante, com franqueza...

                    Desistamos. A nenhuma parte a minha ânsia me levará.
                    P'ra que hei-de então andar aos tombos, numa inútil correria?
                    Tenha dó de mim. Co'a breca! Levem-me p'ra enfermaria!--
                    Isto é, p'ra um quarto particular que meu Pai pagará.

                   Justo. Um quarto de hospital, higiênico, tudo branco, moderno e tranqüilo;
                   Em Paris, é preferível, por causa da legenda...
                   De aqui a vinte anos a minha literatura talvez se entenda;
                   E depois estar maluquinho em Paris fica bem, tem certo estilo...

                  Quanto a ti, meu amor, podes vir às  quintas-feiras,
                  Se quiseres ser gentil, perguntar como eu estou.
                  Agora no meu quarto é que tu não entras, mesmo com as melhores maneiras...
                  Nada a fazer, minha rica. O menino dorme. Tudo mais acabou.

A obra de Sá-Carneiro é mais espontânea que a de Fernando Pessoa. É um homem incapaz de viver entre os homens de seu tempo. O poeta sofre os perigos oferecidos pela confusão interior, justamente porque encara a realidade sob o prisma emocional. Para ele, o racionalismo não tem maior destaque, e deixa o campo livre para a emoção reinar arbitrariamente. O resultado de suas emoções, sem alicerces filosóficos, fez que ele se lançasse nos profundos abismos de "eu", suicidando-se.
                   Mário de Sá-Carneiro deveu muito ao simbolismo, ao Interseccionismo e Sensacionismo, ao Cubismo, ao Futurismo e a Gomes Leal, mas o conteúdo de sua poesia é de profunda originalidade, comunicada de forma invulgar em Literatura Portuguesa. Mário de Sá-Carneiro é considerado o grande alquimista verbal moderno, junto de Fernando Pessoa, nos dizeres de Massaud Moisés.


                   Bom, espero que tenham gostado desta postagem, abraços e até a próxima!!!!!!!!!!!!

                                                                Julio Cesar da Costa                 
    
                

quarta-feira, 14 de maio de 2014

UM POUCO SOBRE A VIDA DE MIGUEL DE SERVANTES SAAVEDRA

                    Saudações meus queridos leitores, hoje vou falar-lhes um pouquinho sobre este que sem dúvida nenhuma é um dos maiores nomes da literatura universal. Miguel de Cervantes Saavedra, o cavaleiro da triste figura. Bem, esse gênio da literatura, nasceu em Alcalá de Henares, em 1547. Há algumas dúvidas sobre a data exata de seu nascimento, mas supostamente se acredita tenha sido no dia 29 de setembro do corrente ano, mas seu aniversário é comemorado em 9 de outubro.
                     Filho de dona Leonor de Cartinas, e Rodrigo de Cervantes, cuja profissão era cirurgião. Quando completou 20 anos de idade, miguel acompanhava o pai  de um lugar a outro como seu ajudante. Desse período não se sabe muita coisa sobre a vida do escritor, mas, acredita-se que por estas datas, o autor de DON QUIXOTE, tenha se dedicado às muitas leituras e aprendizados... Vendo, ouvindo e lendo, recheou seu espírito nas imaginações de muitos heróis fabulosos.
                     Talvez tenha estudado obras e biografias de grandes nomes das artes e famosos poetas, como Homero, virgílio e tantos outros clássicos. Em 1569, Cerantes está em Roma, na vida livre da livre Itália; nutrindo-se do renascentismo, letras brilhantes e fausto social. Por esta época ele compôs a seguinte quadra:

                                  Ó grande, ó poderosa, ó sacrossanta
                                  alma cidade Roma! A ti me inclino
                                  devoto, humilde e novo peregrino
                                  à quem admira ver beleza tanta...

Foi soldado no terço de Moncada, ás ordens do capitão Diogo de Urbina. Em 1571, joão andré Dória, Marco-Antônio Colona e dom Álvaro Bazán, velhos cabos de guerra, estavam concertando planos com dom João de Áustria, irmão bastardo de Felipe, moço da mesma idade de Cervantes, a comandar aqueles veteranos e experimentados alunos de Marte.
                        Trezentas naus velejavam para Corfu. Miguel, 24 anos, vai na galera Marquesa. Na manhã de 7 de outubro, um grito de armas agitou deusadamente a tropa que enchia a nau. Doente, febril, recolhido ao leito, o jovem soldado atendeu o alarme. Intimado a voltar a seu recolhimento, respondeu ao capitão: - Ponha-me v.m. no sitio que seja mais perigoso e ali estarei e morrerei pelejando.
                         Não era uma frase feita: era um pedido de batismo, que Urbina deferiu. Esteve e pelejou. Três arcabusadas feriram no peito e na mão esquerda, que lhe ficou inútil para sempre e lhe valeu o apelido de Manco de Lepanto. Ferido no corpo e trazendo esfacelada a mão, Cervantes cumpria seu primeiro desejo, ou a primeira injução de seu destino: era soldado. E teve uma recompensa que sempre é grata ao lutados: a visita de ferido e valente, que lhe fez o capitão Urbina e dom João de Áustria, o herói maiúsculo  da façanha.
                       Acreditava que tinha vocação militar e que era homem de fazer, mirando sempre á atividade nos seus planos. As letras, para ele, não passavam de ocupação divertida, solácio e desenfado de lazeres, promovidas a refúgio e instância fundamental quando se viu falhado como realizador. Então se gloriou nas musas, como quando fez dizer Apolo, na Viagem do Parnaso:

                                 Bien sé que en la naval dura palestra
                                 perdiste el movimento de la mano
                                 izquierda, para glória de la diestra.

Passada Lepanto, ainda assistiu quatro anos nas guarnições de Itália. Esteve em Túnis e Goleta. Depois, armado de cartas que lhe deram dom João e o duque de Sessa, rumou de volta à pátria. Eram missivas que falavam ao rei de sua bravura e méritos,  recomendando nele o homem talhado para capitão. Mas tais empenhos deram pelo avesso. Embarcado na galera Sol, foi apressado com ela, junto à costa marselhesa, por um tal Mami o Coxo, renegado e irmão de renegado, Arnaute Mamí, pirata de argel.
                       Cinco anos, 1575 a 1580, passou naquele purgatório de cristãos, entre 25.000 outros companheiros. As cartas, com serem de tão grandes personagens, fizeram que imaginassem grande, aquele esperançoso soldado da má fortuna. E que demandavam preço maior no resgate. por cinco anos tolerou a vida de escravo, conspirando e tentando fugas, planejando levantes. Falhou sempre; e não falhou a vida, por sentenças de suas rebeldias, porque seu destino era: não morrer antes dos trinta, alcançar quase setenta, escrever Dom Quixote e ser imortal.
                      Descoberto e atalhado nos planos de fuga, era sempre perdoado, embora pedisse para si os méritos de responsabilidade, como cabeça dos intuitos e intentos em que associava companheiros. Dizia o rei da terra que tinha segura a cidade, a baixela e os cristãos, quando tinha quieto o Manco de Lepanto.
                      Quanto se apressara a galera Sol, também se achava nela, com Cervantes, um seu irmão, Rodrigo, mais moço. Regressavam juntos. Era, pois, seu irmão e matelote, como diria Diogo do Couto. Juntos estavam cativos em Argel, enquanto a família,  desde a pátria, aquela pobre família sempre nas embiras, provia dinheiro para o resgate. Ajuntada uma primeira quantia, foi libertado o mais barato dos dois, esquecendo Miguel dois anos mais, até que um dia enfim, em 1580, foi comprada ao argelino a vida e pessoa daquele maneta.
                       Aqui ficaria bem um poeta iluminar com muitas ênfases o estado de alma do herói que regressa e revê a pátria, dez anos passados. Herói paciente e sem decepções, na virilidade experiente dos trinta e três anos, merecido e disposto para o prêmio de sua bravura.
                       Estranhar-se-á que tenha custado tanto, Espanha resgatar tão nobre filho. mas, cumpre dizer, ele não passava de um entre milhares. Seu nome, hoje, em nossa lembrança e afeto, brilha mais do que Lepanto ou dom João de Áustria; mas, àquela hora, sua importância era a mesma de algum pracinha. Como herói  e mutilado, era apenas mais um, numa Espanha cheia de Miguéis assim e maiores ainda.
                      tomado aquela fantasia pessoal que nos toma, no quilatar de nossos méritos, ele esperava muito, baseado nas recomendações que lepanto lhe valera. Esperar, esperou. Esperou em Valência, esperou em Madrid, esperou em Lisboa, para onde fora o rei. O taciturno Filipe não enxergando nele, séculos em fora, o maior gênio de seus domínios. As cartas recomendavam, mas cinco anos de distância e cativeiro tinham dado tempo a outro clima.
                      Talhado e desatendido, Cervantes lembrou-se  de que era poeta. Escreveu Galatéia e escreveu comédias. Falhou. É muito difícil de as letras nutrirem; costumam, sim, emagrecer. Chega nosso homem aos 40 anos em 1587. Sancho Pança, que não sabemos onde estava, interpela Quixote, no vazio de sua vida prática, pela inutilidade dos sonhos heróicos e a vaidade incompensada das musas. Então Miguel se faz homem de empresas, filho de seu mundo. Primeiro trata de casar com uma senhora de Esquívias, dona de alguma posse e alguns títulos, chamada Catalina de Salazar Palacios y Vozmediano. Em homem de tal idade e tais apertos, esse casamento devia ser casamento de razão. Nela, com dezenove anos, resistindo à oposição famíliar, deve ter sido casamento de coração, ou simplesmente casamento de mulher.
                       Deu tudo, no entretanto, em sem-razão. Os bens da senhora de Esquívias eram fungíveis ou confortantes para quem se quisesse deixar oculto na província. Ela, por exemplo, dona e moça, não sairia dalí senão depois de vinte anos. Mas o futuro biografo de Quixote, desacostumado a climas rarefeitos, ouvia, melodioso o apelo das vias que levam à urbe, à praça agitada, ao paço, às oportunidades que os gênios  procuram. Achou andanças e falências e cadeias, não lhe socorrendo os bens familiares, de que não se valeu e com que não lhe valeram.
                     Diz Ledesmas que a mulher tinha, parece, um tio de apelido Alonso Quijada. A ser fato, ela teria trazido, ao gênio do marido, extra-dote, o melhor dote que jamais levou mulher, em casamento. Filipe II planejava arrancar Inglaterra às mãos da filha de Henrique VIII, aquele Isabel de quem se escreveu que foi o mais lúcido e firme dos homens políticos de seu tempo. Cervantes foi nomeado aprovisionador da esquadra que invadiria as ilhas. Eram mais de 130 navios dos maiores de então, mais de 2.500 canhões e mais de 30.000 homens. Anteciparam a vitória. Chamando-lhe a Invencível Armada. E, como era invencível, Filipe teimou em dar-lhe por comandante um antigo corredor de touros, o velho duque de Medina-Sidônia.
                     Em julho de 1588, zarpava de lisboa. Seis dias de mar picado, e muitas dúzias de brulotes incendiários dos piratas bretões, desfizeram um grave sonho de História. Morreram mais de 20.000 homens. Nem um tocou o solo inglês. Cervantes, o que logrou, além do espanto universal, foi uma excomunhão do cabido de Sevilha, à conta de uns trigos eclesiásticos que requisitara. Era o começo de sua trapalhadas administrativas, cujo termo se achou no cárcere, algumas vezes.
                     A fecundidade da pena representa, nas oscilações, as horas de desengano do homem prático, em busca de alguma salvação material ou, pelo menos, consolo de males. Acumulou uma vasta obra. Ricardo Rojas afirma que Cervantes deixou mais versos do que Manrique, Santillana, Castillejo, Boscán, Herrera, Góngora e outros.
                    Em 1590, quase vinte anos depois de Lepanto e a dez anos do cativeiro, resolveu tentar o caminho das Índias, quer dizer da América, refúgio e amparo dos desesperados de Espanha, dizia ele na petição. Suplica a mercê de um ofício nas Índias, (em Granada, Guatemala ou Cartagena) argumentando que servira sua majestade vinte e dois anos, em jornadas de mar e terra, e que, para tal mercê, era homem hábil, suficiente benemérito. Negaram-lhe o solicitado.
                    Negaram-lhe o solicitado e nosso egoismo agradece ao governo espanhol a repulsa com que frustou esse último golpe de funcionário falido. Que seria de Quixote, se vinha Cervantes para a América? Ao genial criador, faltavam-lhe mais decepções e mais sofrimentos em que sazonar e cristalizar as formas, o corpo e a alma dos dois maiores tipos da literatura. Faltava-lhe ter falido como soldado, escritor, homem de empresas e homem de honra (pois na cadeia começou a obra) até que nos criasse, desbastando, abstrato, idealizado no tempo e no espaço, o Cavaleiro substancial, concreto, humano, imortal, eterno, sublime, ridículo.
                    Entre 1585, ano da morte de seu pai e aumento de seus encargos, 1605, ano da publicação de Dom Quixote, encontramos o Príncipe dos Engenhos lidando como funcionário, poeta, teatrólogo, novelista, homem de infortúnios e hóspede dos cárceres de sua terra. Hospedou-se neles quatro ou cinco vezes, em Sevilha, em castro del Rio, em Argamasilla de Alba. O motivo eram atrasos e alcances. Mas o fato de ele ir da função ao cárcere e do cárcere à função parece estar provando duas coisas: Cervantes era honesto e o cárcere era fácil.
                     Na primeira prisão de Sevilha, em 1597, teria ele encontrado o autor de Guzmán de Alfarache, Mateo Alemán, vítima também de contas mal prestadas. Ledesma chega a imaginar que naquela cadeia, onde havia para 1800 detidos, a mesma pena com que um terminara o Guzmán servira ao outro para começar Dom Quixote.
                    Ainda em 1605, ano da glória, o ano da publicação e das seis edições imediatas de sua obra, Cervantes foi levado ao cárcere, uma última vez, por força da ironia e da maldade. Morava ele numa casa de cômodos, junto a parentes e vizinhos, quando lhes surgiu à porta, pedindo socorro, um moço nobre de nome Ezpeleta, figura donjuanesca mui notada em Valladolid, vítima de uma estocada noturna, e a ele enviada  por um escrivão que buscara no sangue o desagravo de marido atraiçoado. Recolheram, agasalharam e pensaram o moço, que morreu em dois dias. Por espírito de classe, um juiz chamado Villarroel, em grosseira e nojosa trama, que salvasse a pele e o pelo do escrivão, fez prender a cervantes como culpado da morte. Ainda faltava isso a este homem de 58 anos!
                    Declarada sua inocência, foi residir a Madrid os últimos dez anos de sua vida gloriosa e pobre. Teve ali, seu vizinho Félix Lope de Vega Carpio (1562-1635) e incrível autor de mil comédias. Enchia ele a península com seu nome, sua popularidade, sua vida barulhenta, seus melindres geniais. Com quarenta e poucos anos, acha-se no alto esplendor de sua fama e plenitude. Sua vida cruzara, mais de uma vez, com a de Cervantes. Não o compreendeu nem aceitou. Em 1604, nas vésperas da publicação de Do Quixote, conhecido em Sevilha por divulgação mano a mano escrevia o autor de "Fuente Ovejura":.. ninguno hay tan malo como Cervantes ni tan necio que alabe a Dom Quijote.
                  Era a voz da incompreensão e do despeito, da alegria genial, encontradiça em artistas. Lope viu crescer deslumbradamente o nome de Cervantes, até emparelhar, até superar o seu renome de autor milimultíparo.
                  A glória visita-o aos 60 anos, mas não lhe tirou a companhia da pobreza. É irmão terceiro, franciscano e escravo do SS. Sacramento. Publica, em 1613, as Novelas exemplares e, em 1614, a Viagem do Parnaso. Apareceu naquele ano o falso Quixote: Segundo tomo del ingenioso hidalgo don Quijote de la Mancha... compuesto por el licenciado Alonso Fernández de Avellaneda... O prólogo da obra era um veneno atirado ao nome de cervantes. A obra, de si, chata, incolor. O antropónimo "Avellaneda" era um criptônimo e ainda não foi decifrado pelos eruditos.
                  É de imaginar o calor que lhe subiu àquele velho batido de decepções, ao ser ludibriado na criação prima de seu gênio. Trabalhou febrilmente. Em 1615 publicava a Segunda parte de Quixote, maravilhosa continuação, em que vêem alguns, substancia ainda mais fina do que a da primeira parte.
                  Em 1616, terminou a sua última produção, Persiles y Sigismunda. A 23 de abriu de 1616, vitimado de hidropisia, afeccão cardíaca ou arteriosclerose, morria o marinheiro, o geógrafo, o economista, o viajor, o jurista, o filosofo, o estilista. Morria o poeta sobre quem tem contendo peregrina ( feito Homero) nada menos de sete cidades. Lope de Vega, o Fênix dos Engenhos, desde muito reconciliado com o vizinho, foi rezar um responso de corpo presente em sufrágio da alma do Príncipe dos Engenhos.

                  Bom, meus queridos leitores, isso foi um pouquinho da vida desse que tanto nos orgulha, por sua literatura maravilhosa e imortal. Abraços a todos e até a próxima postagem!

              
               

sábado, 10 de maio de 2014

ALGUMA COISA SOBRE BEETHOVEN

Olá, queridos leitores do legítimo blogger ARTE E CULTURA. Hoje vou escrever fatos interessantes do final de vida desse que sem dúvida nenhuma é um dos maiores mestres do movimento romântico na música mundial. Lugwig Van Beethoven.

                       " e depois, ei-lo de volta à sua morada sem alegria, ainda acompanhado por amigos fiéis, que receiam que seja atropelado na rua e morto. De volta para um quarto solitário e desordenado, cheio de piano(alguns especialmente construídos para um surdo - outro sem pé para permitir que ele tocasse de bruços no chão. Pilhas de músicas, pratos sujos em cima das cadeiras e no assoalho, uma bacia de louça que durante dias, ali estava sem ter quem a esvaziasse e uma cama por fazer.
                         No meio desse caos, Ludwig Van Beethoven morreu em 26 de Março de 1827, seis anos após o seu herói de outrora ter murmurado as últimas palavras e entregue a alma a Deus naquela ilha solitária, que ficava no fim do mundo. Houve razão para não se esquecer esse dia, pois no momento exato em que o grande mestre mergulhava no sono eterno, uma trovoada acompanhada de um furacão, tal como ninguém ainda presenciara igual, desencadeou-se sobre Viena.
                           No meio dos relâmpagos que cegavam e dos trovões que ensurdeciam, o bom deus escreveu "finis" na obra daquele de quem tinha razões para orgulhar-se. 
                           Quando o velho Ludwig foi levado para a sepultura, regimentos formavam alas nas ruas por onde passava o cortejo fúnebre. Até a casa de Habsburgo se sentiu na obrigação de prestar homenagem a esse extraordinário que, a seu modo, fora o maior iconoclasta e o mais perigoso rebelde entre todos os súditos da águia bicéfala. hoje Beethoven tornou-se um de nossos santos seculáres, enquanto que o nome de Napoleão é uma espécie de pastel rico e indigesto.
                            Os Beethoven eram de origem flamengo-holandesa. Tinham pouco sangue alemão na veias. O pai foi um tenor bêbado, que cantava a serviço do arcebispo-eleitor de colônia. Sua mãe, Maria Madalena Laym, trabalhara para esse mesmo dignitário, lavando pratos na cozinha. A família vivia em Bonn, onde o patrão passava maior parte do tempo.

                                                Biografia extraída da obra (Vidas ilustres) de autoria de:
                                                Hendrik Willem Van Loo. Obra do ano de 1945

Bem, um abraço a todos e até a próxima postagem!   
                       

quinta-feira, 1 de maio de 2014

LEITURA DE VIAGEM

Havia antes de tudo,
o desejo de decidir as coisas.
Era manhã, a data não foi escrita,
só se sabe que chovia forte.

Aquele velho eremita,
havia de andar por muitas estradas,
pisar em muitas pedras;
e chorar muitas lágrimas no silêncio e na solidão.

Mas apesar de todos os contratempos,
o olhar daquele ancião refletia juventude.
Afinal de contas o envelhecimento do corpo
é só um dos passos alquímico da alma.

Pois se analisarmos bem,
veremos que muitas crianças já nascem velhas,
e em contrapartida percebemos,
que quase todos os velhos se tornam crianças.

E foi atrás dessa transformação irrefutável
que o andrógeno eremita percorreu suas estradas;
as vezes o vento corria a sua frente,
movendo folhas secas e agitando ramos.

Mas o velho homem nunca teve pressa,
desde menino sempre soubera esperar à hora certa;
e não seria depois de tudo que perderia este dom.
Diz a lenda que esse homem jamais chegou ao seu destino.

Caminhara um passo depois do outro por toda sua vida,
e quando cansado seguiu adiante sem esmorecer;
não teve arrependimentos, nem ataques de fúria.
Talvez o que ele quis foi se tornar esse andarilho admirável.

Que tendo rumos para seguir,
seguiu primeiro o que disse sua virtude;
e tendo palavras a dizer, preferiu ouvir seus melhores sentimentos.
E talvez quando deitou-se para a morte
tenha descoberto que a realização máxima de um ser,
seja viver a plenitude da vida...

Como a flor que se abre em botão,
e depois de tudo sente caindo-lhe as pétalas;
e num toque sublime dos Anjos,
na serenidade de um simples mortal,
deixa tombar seu corpo sobre a terra;
e finalmente adormece.


                                                      

                                             Julio cesar da Costa


segunda-feira, 23 de setembro de 2013

                Olá meus queridos leitores, hoje quero lhes falar um pouco sobre uma poetisa que varou milênios e chegou até nós. Me refiro a Safo, poetisa nascida em Mitilene na ilha de Lesbos(Grécia), provavelmente por volta de meados do século VII aC. De boa família, contemporânea do poeta Alceu. À semelhança deste ela parece ter deixado Lesbos em consequência de perturbações políticas na ilha; a crer na tradição Safo teria ido para Sicília e talvez tenha morrido por lá.
                 A poetisa escreveu nove livros de Odes, Epitalâmios, Elegias e Hinos, dos quais sobreviveram apenas fragmentos (inclusive uma Ode completa e quatro estrofes de outra). Safo escreveu em dialeto eólico, e muitos dos fragmentos foram preservados por gramáticos como exemplo desse dialeto.
                 Fiz questão de transcrever um de seus poemas, pois o achei maravilhoso por se tratar de versos que descrevem um pouquinho da beleza da Grécia antiga... com árvores, costumes e fatos religiosos de uma cultura assaz misteriosa e encantadora; espero que vocês o apreciem, segue abaixo:

                                                      EU VOS ROGO Ó CRETENSES

Eu vos rogo ó Cretenses, vinde ao templo;
ao redor há um bosque de macieiras,
e dos altares sempre se levanta
o odor do incenso.

Aqui a água fria rumoreja calma,
em meio aos ramos; cobre este lugar
uma sombra de rosas; cai o sono
das folhas trêmulas.

Aqui num campo onde os cavalos pastam
desabrocham as flores do carvalho
e os anetos exalam seu aroma
igual ao mel.

Apanhando grinaldas, vem, ó Cípris,
e dá-me um pouco desse claro néctar
e que tão graciosa serves para a festa,
em taças de ouro.

                                    Abraço a todos
                                                Julio Cesar da Costa                   

sábado, 21 de setembro de 2013

Olá meus valorosos leitores, é com muito prazer que publico mais um de meus poemas. Espero que seja apreciado por vocês. segue abaixo:


 LIVRINHO DE VERSOS


Nestas letras que desenho,
meus sentimentos transbordo;
pois, olhando a imensidão
sinto pulsar meu coração,
num bater de outro acorde.

E os meus ares então mudados,
algo me leva ao extremo...
lembrando a face morena
daquela que sempre amei...
num instante, deixo seguir livre a escrever minha pena.

E meu romance aos poucos relato
e do fundo da alma tiro a essência, fato a fato;
falo dos dias dourados de glória
onde toda a minha história,
se encontra num livrinho apaixonado.

Página a página derramo o perfume dos versos,
dançam as quadras, cantarolam as rimas
e a ideia toda se converte
num relance do ímpeto inesperado...
dos olhos da amada, uma lágrima mereja.

Assim, o livrinho vai sendo folheado,
pelas mãozinhas delicadas da mulher mais bela;
e tudo aos poucos transmuda-se de formas...
na última página de surpresa, em letras que o coração contornam,
por inteiro, me consagro a ela.


                                    Julio cesar da Costa

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

CANÇÃO ALEGRE

    Dança Musa,
    baila junto ao vento.
    Encanta o meu coração
    com tua face alva
    e teu olhar de infinito.

    Baila minha Ninfa,
    no enredo da magia,
    e faz a natureza resplandecer.
    Eu te observo e me estremeço
    com tua beleza mítica.

    Olhe lá! Veja por entre às árvores
    fadas, centauros e duendes,
    te observando também;
    e o vento na copa das árvores
    nos convida a voar com ele.

    Dance linda Musa encantada
    que o dia está só começando,
    e há tanto para fazermos,
    que tal passearmos pelas colinas
    dançando ao som da flauta montanhesa?

    Ou quem sabe colhermos avencas
    nas grotas secretas dos elementais?
    Baila minha linda esperança, baila...
    e faça meu coração saltar ao teu ritmo,
    baila, e me encha de alegria.


                      Julio cesar da Costa